quinta-feira, 16 de julho de 2009

Caminhos!


Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm.
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas!


Mario Quintana

terça-feira, 14 de julho de 2009

Inscrição para um portão de cemitério


Na mesma pedra se encontram
Conforme o povo traduz
Quande se nasce-uma estrela
Quande se morre-uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão-de emendar-nos assim:
Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim.


Mario Quintana; A Cor do Invisível

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Se...


Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho!
Mario Quintana

sábado, 11 de julho de 2009

Acordando...




Eu estava dormindo e me acordaram
E me encontrei, assim, num mundo estranho e louco...
E quando eu começava a compreendê-lo um pouco,
Já eram horas de dormir de novo!



Mario Quintana

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Ai!


Essa lembrança que nos vem às vezes... folha súbita que tomba abrindo na memória a flor silenciosa de mil e uma pétalas concêntricas... Essa lembrança...mas de onde? de quem? Essa lembrança talvez nem seja nossa, mas de alguém que, pensando em nós, só possa mandar um eco do seu pensamento nessa mensagem pelos céus perdida... Ai! Tão perdida que nem se possa saber mais de quem!
Mario Quintana

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Nossa loucura


Nossa loucura é a mais sensata das emoções, tudo o que fazemos deixamos como exemplo para os que sonham um dia serem assim como nós:
LOUCOS…mas FELIZES !
Mario Quintana

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A canção da vida


A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida é múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno de ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio
( Como a vida é bela! Como a vida é louca! )
Mario Quintana; Esconderijos do Tempo, Porto Alegre, 1980